047 - Por porquê? Quem? Quê? Quando? Como? Onde?
PQ-Q-Q-Q-C-O
Maneira prática de escrever um texto jornalístico, rádio e televisão e satisfazer as curiosidades do leitor, ouvinte e telespectadores
Do livro de Edgard de Oliveira Barros, Biblioteca Virtual da Imagem e do Som
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A paixão de Edgard de Oliveira Barros pelo Jornalismo começou há 40 anos, quando entrou, pela primeira vez, na redação dos Diários e Emissoras Associadas, a maior cadeia de jornais, emissoras de rádio e de televisão que o Brasil já teve, fruto do sonho do jornalista Assis Chateaubriand. Um de seus orgulhos, por sinal, foi ter convivido, ainda que superficialmente, com Chateau, como era chamado.
Edgard, que é bacharel em Direito pela Universidade Mackenzie, foi repórter de jornais Associados, tendo trabalhado também nas extintas rádio Difusora e TV Tupi. No meio do caminho teve a Propaganda e Edgard trabalhou na MPM Propaganda, para depois fundar a sua própria empresa de publicidade. Ganhou vários prêmios e foi considerado um dos "cobrões" da propaganda. Durante 10 anos foi diretor de redação do extinto Diário Popular, dirigindo o jornal inclusive em sua edição centenária, glória que poucos jornalistas do mundo podem conhecer. Não é toda hora que um jornal completa 100 anos. Deixando o Diário Popular começou a dar aulas na FACOM/UniFIAM no ano de 1986.
Criou o jornal Imprensa Livre na cidade de Atibaia, com circulação regional. Semanário, o jornal passou a diário tendo inclusive implantado seu próprio parque gráfico com modernas rotativas. Trabalhava no mínimo 18 horas por dia e todos os dias. Cansou.
E faltou dinheiro. Parou o jornal e voltou a dar aulas, sua paixão, na FIAM. Publicou três livros de crônicas e um livro-manual de Jornalismo dedicado aos alunos da escola: Quem? Quando? Como? Onde? O quê? Por quê?.
Exige que seus alunos PENSEM. Toda vez que se ouvir alguém falando alto (e até gritando...): "Pense!" pelos corredores da Faculdade, pode estar certo que o professor Edgard está por perto...
Prefácio
Este trabalho destina-se aos que estão ingressando no mundo do jornalismo, radio e televisão. É meramente informativo e nasceu da prática, fruto da experiência de longos anos do autor como jornalista e professor. Alguém que já esteve (e está) dos dois lados do balcão Pretende, ao longo de suas páginas, mostrar, aos que estão principiando nesta carreira maravilhosa, os emocionantes caminhos que levam o jornalista a penetrar nas entranhas do mundo, viver suas paixões, seus medos, seus desafios e suas baixezas. O jornalista está presente em tudo. Ele representa os olhos da sociedade, como diria o professor Roney César Signorini. Ele vê, ouve, capta ansiedades, sofrimentos e alegrias, busca verdades escondidas nos cantões e joga o ouro garimpado, em forma de histórias, para que todos tomem conhecimento Quixotesco, busca a Justiça. Erra e acerta, pois é falível. Afinal de contas, ele é apenas um ser humano como todos. A diferença está em ser o mais curioso entre os viventes.
Pensando em histórias
Pare sempre para pensar e pense sempre sem parar. Mais que um jogo de palavras, esse é o caminho para quem quer descobrir os segredos do mundo, os caminhos da vida. Olhe para o céu, olhe para a frente, olhe para os lados, olhe para o chão e pense em cada detalhe que você viu. Pense nas estrelas, na lua, nas nuvens. Que diabos fazem as nuvens penduradas lá no céu? Quem as segura lá? E essa lua prateada e envolvente que tantas paixões despertou em tanta gente e em tantos poetas? O que faz a lua nesse contexto todo? Aposto que milhões de pessoas gostariam de ouvir explicações sobre essas questões que aparentemente não passam de grandes bobagens. Cultura inútil, como dizem os inúteis. Cultura nunca é inútil. Inútil é não pensar. Mas, falando em pessoas, quem são essas pessoas que estão ao seu lado? O que fazem? Do que vivem? Como vivem? Quais suas expectativas, seus gostos, desejos, vontades? Quem são? repito. Pois o seu companheiro de classe pode ser uma grande história que merece ser contada. Cada um de nós é uma grande história porque, apesar de sermostodos absolutamente iguais, somos todos totalmente diferentes. O que nos remete à conclusão de que o mundo tem, no mínimo, 7 bilhões de histórias para se contar. Precisa mais que isso para acabar com essa história de que você não tem histórias para contar?
Para não ir longe, lembro a história do menino sobrevivente do último tremor de terra na Índia. Perdeu pais, irmãos, ficou uma semana soterrado, tinha tudo para morrer e foi salvo. Quanta coisa esse menino teria para contar dessa sua triste aventura. Fico arrepiado só em pensar na possibilidade de escrever ou ler essas tantas histórias. E você não tem histórias? E não fica arrepiado com histórias? Arrepiado. Que bobagem é essa de professor ficar arrepiado? Não se trata de bobagem: é isso mesmo. Arrepiar é a palavra mais certa. O bom tema, a boa história começa obrigatoriamente arrepiando o seu criador, o seu autor, seu contador. Toda boa história tem que emocionar as pessoas. Tem que arrepiar. Toda vez que você não gostar de uma idéia ou de uma história que caiu em suas mãos, desista dela. Se você não se apaixonou, se você não se arrepiou com sua história, os outros nem vão querer saber do que você tem para contar.
Viajando de ônibus
Mas você não precisa ir até à Índia para encontrar uma boa história. Ela também pode estar com o motorista ou com o cobrador do ônibus em que você viaja. Pense, rumine. Você acha que é fácil a vida deles? Dirigir ou trabalhar como cobrador de ônibus no trânsito de São Paulo? Andar pela madrugada nas ruas escuras da periferia, aonde até a polícia só vai se for com a polícia junto? Converse com o motorista, bata um papo com o cobrador. Procure entrar em sua alma. Procure se sentir um deles. Cate tudo, beba tudo, raspe o pote da emoção de seus entrevistados. Complete a sua matéria com os medos da polícia, com o lado social e psicológico do problema, através de informações de profissionais ou técnicos nessas questões. Ouça os receios das famílias que, quando os vêem sair para o trabalho, ficam na incerteza de sua volta sãos e salvos. Onde vive essa gente? Como vive? Quanto ganha? Isso é viver ou sobreviver? Conte. Denuncie, se for o caso. Será que você não tem mesmo sobre o que escrever? Claro que tem. E por mais que você escreva, por mais temas que aborde, ainda assim vai ficar devendo. E muito. Porque as histórias são como a água, nunca param de jorrar. Já pensou nisso? Então pense. Porque é pensando que se chega a grandes conclusões. Ou confusões. De qualquer forma, entre conclusões e confusões, você tem a história para contar. Fique certo de uma coisa: nada cai do céu além da chuva e de alguns aviões de carreira. Muito menos a boa reportagem.
Vamos fazer um plano?
Da mesma forma que quem procura acha, quem pensa encontra um bom tema para suas reportagens. Como já se viu, tudo é assunto para um jornalista pois tudo desperta a curiosidade do mundo. A própria curiosidade nas pessoas, ou a falta delas, já vimos, seria um excelente tema para uma grande reportagem. Afinal, por que é que somos tão curiosos? Não, não me pergunte porque eu não sei. Sou apenas um jornalista como você. E jornalista é o sujeito que sabe de tudo, mas não entende de nada. Se você tiver vontade e curiosidade de desenvolver esse tema da curiosidade do mundo, podemos andar juntos nessa estrada. Vamos partir do zero. Por enquanto, só temos o tema: a curiosidade do mundo. Que é que precisamos agora? Agora a gente precisa pensar muito em cada detalhe e elaborar um bom planejamento para responder às perguntas básicas da questão: Quem é curioso? Por que somos curiosos? O que é a curiosidade? Quando ela se manifesta mais? Onde ela se manifesta? Como se comportam os curiosos? Essas e outras tantas e quantas perguntas e dúvidas. Levante-as todas e, de repente, olha a pauta aí!
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